(27/03/09)
Hoje aconteceu um fato muito inusitado, para não dizer macabro, comigo.
Eu estava como sempre no meu colégio estudando quando fiquei sabendo que um jovem colega de outro colégio tinha se jogado de um ponte para a morte em uma das principais avenidas da cidade.
De repente senti uma coisa que, por mais que quisesse entender, não conseguia explicar a mim mesmo.
Como o local do incidente era muito perto de onde estava, sai correndo em direção a ponte e no meio do caminho imaginava o que encontraria e por que eu sentia esse desejo para me encontrar com a morte com tanta voracidade.
Ao chegar lá em cima da ponte havia inúmeras pessoas, curiosas como eu, olhando para baixo e vendo um corpo coberto por uma espécie de lençol. O estava transito todo parado, tanto na avenida como em cima da ponte. As pessoas de dentro dos carros, sem saber o que acontecia também perguntavam aos pedestres para saber o que havia acontecido. Muitos até paravam para ver quando lhes eram ditos que alguém havia acabado de se matar.
O jovem defunto era um estudante jovem de vinte e poucos anos que, minutos antes do seu fim, havia brigado e discutido com sua namorada.
Fiquei sabendo do ocorrido por outros que já estavam no local antes de mim.
Não é interessante notar com a morte chama a atenção do ser humano?
Você nunca reparou o que acontece num velório quando um parente seu morre?
Velório é onde, geralmente você se reencontra com parentes que há muito tempo você nao via. Não é?
Não é engraçado como a morte humana é o promotor do evento social mais bem representativo.
As pessoas podem não ligar muito quando, por exemplo, algum parente deu a luz a uma linda criança, mas, se alguém importante da família morre, tipo aquele patriarca durão que já estava beirando seus 100 anos falece, todos fazem questão de parar suas vidas para mostrar suas condolências e dar seus últimos adeus ao velho defunto novo, neste caso.
Parece que o ser humano sente a necessidade de comprovar, de enxergar de verdade aquilo que é a única certeza que todos temos, a de que todos morremos um dia.
Fazemos parte de uma sociedade que parece não querer muito olhar para essa última fase do ser humano.
Eu só queria entender o que realmente se passava na minha cabeça naquele momento em que corria em direção ao jovem defunto; será que eu também queria mais uma vez comprovar como nosso fim será . Talvez sim
Na verdade após ter ouvido todos os boatos, todas as versões sobre o ocorrido; após minha mente ter criado todo um roteiro sobre o que possivelmente havia ocorrido, eu sai de lá com um sentimento de raiva, muita raiva mesmo.
Mas que idiota foi o cara; se jogar para a morte por conta de um relacionamento mal resolvido. Vale mesmo acabar com a vida só por conta de uma relação de conflito com a namorada.
Mas que cara estúpido, meu!!!
E ainda atrapalhar todo um transito que já é bem caótico normalmente; fazer todo mundo parar para ver seu último ato em vida. E tudo isto para que?
Por que estava magoado com uma sua namorada.
Puta que o pariu, mas que falta de criatividade. Essa cena não era necessária.
O que quero dizer: o cara desperdiçou sua vida por tão pouco, por tão pouca bobagem.
Não quis muito acreditar que esse foi o único motivo pelo qual moveu o sujeito em questão a cometer esse ato insano, para ano dizer ... sei lá.
Bom, mas também agora o defunto já esta frio e não adianta mais nada eu ficar aqui perdendo meu tempo escrevendo essas vãs palavras mórbidas.
Então, jovem morte, fresco defunto, que você tenha uma mais bela, macia e mais longa passagem pela morte, já que sua vida foi tão breve e ainda ter por fim, mergulhado se num asfalto tão duro que lhe abriu o cérebro aos pedaços.
Até breve.
sexta-feira, 27 de março de 2009
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